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O
SINDICALISMO NO TEMPO COLONIAL
Para
uma melhor compreensao sobre o surgimento do movimento sindical
moçambicano, é importante fazer uma retrospectiva
do passado, começando mesmo desde o período colonial.
Durante o período da dominação colonial portuguesa
no nosso País nao se desenvolveu nenhuma forma de organização
sindical activa e com influência na organizaçao dos
trabalhadores.
Todas as formas de organizaçao sindical e de luta dos trabalhadores
pelos seus interesses foram reprimidos, e os seus promotores presos
ou mesmo mortos pela polícia política de todos nós
bem conhecida - a PIDE/DGS.
Existiram no tempo colonial os Sindicatos corporativos, criados
pelo próprio regime e cujos dirigentes eram indicados pelo
Governo. Sao Sindicatos cuja existência era meramente administrativa,
sem estruturas de base nem programa de acçao, limitando-se
a cobrar quotas e a atribuir alguns beníficios os respectivos
mmbros, nomeadamente a assistência médica e emissao
de carteiras profissionais.
A filiaçao nestes Sindicatos era selectiva, ja que o candidato
a membro tinha que ter no mínimo 4ª Classe de habilitaçoes
literárias e tinha que ter qualificaçao profissional
- precisamente o que a maioria dos trabalhadores moçambicanos
nao tinham possibilidade de conseguir. A natureza corporativa dos
Sindicatos coloniais impunham divisoes no seio dos trabalhadores.
Numa empresa havia trabalhadores filiados em diferentes Sindicatos,
o que nao permitia nenhuma forma de acçao sindical organizada.
Assim, os Sindicatos coloniais eram instrumentos do regime colonial,
direccionados para controlar em vez de defender os trabalhadores.
Sabemos que muitos destes Sindicatos foram dirigidos por elementos
ligados à polícia política do regime colonial,
que agiam contra, ou pelo menos denunciavam, qualquer forma de tentativa
de organizaçao e de luta dos trabalhadores.
É um facto que, houve tentativas de organizaçao dos
trabalhadores para luta pelos seus direitos. Recordamos as greves
dos estivadores, dos trabalhadores das planificaçoes e de
outros sectores de actividade, protestando conta as duras condiçoes
de trabalho e contra a opressao colonial.
Foram focos de luta expontáneos, sem objectivos nem estratégias
definidas, razoes pelas quais foram imediantamente repremidas e
sufocadas.
Houve também esforços no sentido de se organizar pequenas
associaçoes de artesaos, com funçoes mais sociais
do que de fomento de organizaçao para defesa de interesses
dos seus membros, como por exemplo as associaçoes de engraxadores,
de barberos e outras rigorosamente controladas pelo regime colonial,
sendo por isso impossibilitadas de qualquer acçao de vulto.
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